terça-feira, 8 de abril de 2014
Além de tantas outras milagres de coisas que gosto de fazer, ver e assistir no dia a dia (e que já citei aqui), uma das minhas preferidas na escola é escrever redações e conhecidentemente na aula passada de português, tivemos que observar duas fotos que destacavam a desigualdade social, uma mostrando aparentemente um menino procurando algo no meio do lixo e outra com um homem segurando uma criança no colo. Foi o que bastou para que pudesse escrever sobre um assunto que vivo debatendo: desigualdade social, só que ao invés de ser o personagem pelo qual observa os moradores de rua, decidi ser o tal. E ficou mais ou menos assim:Breno e o tempo
São Paulo, 13 de setembro de 2006.
Breno caminhava solitário como sempre foi na grande e perdida Av. Paulista, observador e curioso como sempre era, tentava sempre adivinhar através de suas expressões faciais como eram suas vidas, sempre acreditando que todos eram, de certa forma, felizes, porque mesmo sem nada, se sentia feliz também.
Quase sempre notava rostos tristes, decepcionados e até encomendados encarando-o. E uma vez ou outra, estas mesmas faces vinham em sua direção e perguntavam:
- Aceita um prato de comida, meu jovem?
-Pegue aqui estes trocados!
Mas Breno não precisava de comida ou esmolas, precisava de um amigo.
É claro que uma vez ou outra, precisava procurar seu alimento nos lixos quando não davam-lhe um prato, mas já havia se acostumado com isto. Não se encomodava porque não conhecia a verdadeira forma como um ser humano deveria ser tratado, sua experiência de vida apenas fazia com que tivesse conhecimento de isto e somente isso.
Não se preocupava com os trocados, pois sabia que era uma boa gentileza, mas que não era feita por amor, apenas por obrigação.
Queria mesmo, alguém que se importasse, que conversasse, que não se preocupasse com o que vestia. Apenas queria alguém, assim, tão fácil, tão simples, tão humano.
E infelizmente na desigualdade atual em que vivemos, Breno representa grande parte dos moradores de rua das grandes cidades do Brasil.
Ele queria apenas um amigo, só isso.
Espero que tenham gostado e refletido, assim como fiz.
Uma boa noite,
Carol Fernandes
Assinar:
Postar comentários
(Atom)
0 comentários:
Postar um comentário